Você conhece Fanta Konatê? Bailarina e cantora
nascida na Guiné, ela é filha do Mestre Famoudou Konatê, percussionista
mundialmente conhecido. A artista, que vive no Brasil há três anos,
estará hoje em Piracicaba com o grupo Troupe Djembedon para um
bate-papo e “pocket-show” a respeito da influência africana no Brasil.
O evento, que acontece a partir das 13h no Centro de Educação e Cultura
da Associação dos Funcionários Públicos (rua Ipiranga, 533, Centro),
tem como público-alvo os alunos que participam do curso de Difusão
Cultural Afrobrasileira, que começou em 27 de abril e vai até 8 de
agosto com aulas na Biblioteca Pública Municipal.
A atividade contará com a participação de Luis Kinugawa, percussionista
que passou dois anos estudando a cultura da Guiné in loco e voltou para
o Brasil casado com Fanta. “Vou apresentar para o público uma síntese
da cultura da região malinkês, que compreende a Guiné, chegando até
Senegal e Serra Leoa”, destaca. Segundo Kinugawa, como no Brasil o
conhecimento a respeito da África é bastante difuso, a população pensa
que a cultura do continente é uma coisa só. “Na verdade é bem
diferente, eles chegaram em menor quantidade no Brasil e sua dança é
bem diferente do que se convencionou rotular de afro-brasileira. Até
porque não têm muita ligação com orixás e são islamizados”, diferencia.
Kinugawa conta que o instituto que preside, o Famoude Kanoute, tem três
linhas de atuação. “Contamos com a parte artística, a de pesquisa e a
humanitária”, destaca. Ele acrescenta que muita gente ainda acha
estranho o fato de ele ter ascendência oriental e fazer parte de uma
associação ligada à África. “Acho que está na hora de as pessoas não se
ligarem tanto a essas diferenciações”, destaca.
Na parte artística, Kinugawa conta que farão uma pequena apresentação,
além de exibir um vídeo que realizou durante sua viagem a Guiné,
mostrando vários destaques a respeito da etnia. A percussão típica tem
como base o djembê, um tambor milenar confeccionado a partir de um
tronco de árvore sagrada, esculpido em forma de taça, com uma pele de
cabra esticada através de cordas e aros de ferro.
Segundo o pesquisador Antonio Filogenio de Paula Junior, do Programa
Difusão Cultural Afrobrasileira, “receber a Fanta Konatê e o pessoal
deste instituto é uma honra, embora aqui no Brasil não se conheça quase
nada a respeito da cultura africana”. Para ele, o curso surge
exatamente para tentar suprir essa lacuna. “É importante porque
contamos com 80 pessoas que estão tendo aulas desde abril, sendo que
50% são ligadas à rede pública de educação e a outra metade funcionaria
como agentes multiplicadores. Quanto ao ensino, existe uma lei já
aprovada em 2003 que cria a disciplina história e cultura africana na
escola, mas os professores ainda não receberam essa capacitação. Então
creio que preparamos muitos deles”, afirma. Antes do final do curso,
Filogênio Junior anuncia mais uma presença importante em Piracicaba, no
início de agosto: a do egípcio Agasson Ambapaul, bispo da igreja ortoxa
copta.
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