Pensar
em tratamentos para a saúde é, quase invariavelmente, algo negativo.
“Quem precisa de tratamento é doente”, dizem. Mas existe um tipo
específico que poderia ser considerado, no mínimo, razoavelmente
relaxante: é a musicoterapia. Não é um tratamento novo, mas, com
certeza, é utilizado cada vez mais por jovens e adultos, que querem
fugir da vida cotidiana, relaxar, diminuir a tensão. Entretanto, a
musicoterapia não serve só para isso. Mas, afinal de contas, o que é,
exatamente, esse tratamento?
Musicoterapia é a utilização da música, ou de seus elementos (melodia,
som, ritmo e harmonia), por um profissional devidamente qualificado,
com o objetivo de promover mudanças positivas físicas, mentais, sociais
e cognitivas em uma pessoa, ou grupo de pessoas, com problemas de saúde
ou de comportamento.
O campo de atuação da musicoterapia é muito grande, podendo beneficiar
desde crianças a idosos. Existem trabalhos clínicos sendo realizados em
várias áreas como: deficiência mental (retardo, síndromes genéticas),
deficiência física (paralisia cerebral, amputações, distrofia muscular
progressiva), deficiência sensorial (surdez, cegueira); nas doenças
mentais (área psiquiátrica, autismo infantil, problemas neurológicos);
nas áreas sociais (com crianças e adolescentes carentes ou de rua, para
inclusão); em geriatria; em distúrbios infantis de aprendizagem e
comportamento e com gestantes, na estimulação precoce.
A musicoterapia avalia o estado emocional, físico, comportamental,
comunicativo e a habilidade cognitiva através de respostas dadas pela
música. As seções, que podem ser individuais ou em grupo, dependendo
das necessidades do paciente, abrangem improvisação musical, audição,
composição de músicas, discussão, imaginação, performance e aprendizado
por meio da música. O paciente não precisa ter nenhuma habilidade
musical para se beneficiar do tratamento e não existe um estilo
particular de música que é mais terapêutico que os outros. Ou seja,
existe terapia musical para todos os gostos e estilos.
Um detalhe importante é que o tratamento só pode ser aplicado por um
musicoterapeuta licenciado, que desenvolve um processo musicoterápico
específico para cada paciente ou grupo de pacientes. Trata-se da
interação paciente versus terapeuta. Pessoas saudáveis podem se
beneficiar da música para buscar o prazer, estímulo, redução do stress,
relaxamento, ou também, para usar em ambientes profissionais e festas,
mas isso não se trata de musicoterapia.
O que poucos sabem (mesmo porque não há nenhuma divulgação da mídia
local) é que existe esse tipo de tratamento, um pouco modificado, em
Vinhedo. O musicoterapêuta Luis Kinugawa é coordenador de biomúsica em
São Paulo. Todos os domingos, em Vinhedo, ele dá o curso “Oficinas de
dança e percussão da Guiné”, que se encaixa dentro dos estilos de
tratamento da musicoterapia. Inéditas no Brasil, as danças guineanas
são a expressão plástica da belíssima e complexa música executada pelos
tambores Djembes e Dununs (tambores típicos desse país).
Cada dança e ritmo são executados em contextos sociais específicos
como casamentos, circuncisões, trabalho no campo, máscaras, ritos de
passagem, etc.
Luis Kinugawa pesquisou por dois anos os ritmos, cantos e tradições
originais da Guiné, trazendo para o Brasil um vasto material cultural.
Em São Paulo, aos sábados, o curso é ministrado das 11h às 13h na Rua
Lisboa, 509 (próximo à Praça Benedito Calixto). Em Vinhedo, as oficinas
são aos domingos, das 15h às 17h, na Represa II.
Créditos Texto: JDF Créditos Foto: Divulgação | |